sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Aumento na potência do reator nuclear IEA-R1 ampliará produção radioisótopos e serviços

E. R. Paiva

O núcleo do reator nuclear IEA-R1 fica imerso a cerca de 9 metros de profundidade em uma piscina com água desmineralizada. 


O reator nuclear de pesquisa IEA-R1, localizado no Ipen, aumenta sua potência para 4,5MW a partir de 1º de agosto. Desde 2009, pesquisadores e técnicos do Centro do Reator de Pesquisa (CRPq), Radioproteção e de sistema da qualidade do instituto realizaram estudos que comprovaram a viabilidade no aumento da potência com segurança para atender a demanda na prestação de serviços de irradiação de amostras para pesquisa e produção de radiofármacos para diagnóstico e tratamento médico.

Em operação desde 1957, o IEA-R1 tem por finalidade a irradiação de amostras para pesquisas com Física Nuclear, Radiofarmácia, Radioquímica, além de ser importante instrumento para o treinamento e formação de recursos humanos para a área nuclear.

O núcleo do reator IEA-R1 fica submerso em uma piscina, a cerca de nove metros de profundidade e possui 144 posições que permitem irradiações de materiais. Um sistema pneumático possibilita irradiações mais breves e 9 tubos de irradiação horizontais (beam holes) são utilizados para pesquisas com feixes de nêutrons em física nuclear, física do estado sólido e pesquisas em terapia de câncer.

No reator IEA-R1 são produzidos radioisótopos para uso em medicina nuclear, como o Samário-153, utilizado para o alívio das dores em metástases ósseas, o Iodo-131 para diganóstico e terapia de disfunções tireoideanas e o Irídio-192, na forma de fios metálicos, para braquiterapia. Os radioisótopos produzidos no reator são processados na Diretoria de Radiofarmácia (DIRF) antes de sua distribuição para os hospitais e clínicas. Os fios de Irídio-192, por sua vez, são processados em instalações no Centro de Tecnologia das Radiações (CTR).

Outros radioisótopos, utilizados em aplicações industriais, como o Cobalto-60, para gamagrafia industrial também são produzidos no reator.

Durante as primeiras décadas, o reator operou a 2MW, embora seja projetado para atingir 5MW. A partir de 1994, passou a operar em regime contínuo de três dias, em turnos, com potência de 3 a 3,5MW. Ao longo de sua história, várias modernizações foram realizadas para permitir o aumento da potência: reformas no saguão da piscina, na sala de controle, nos sistemas de refrigeração, de aquisição de dados e na instrumentação. Desde 2002, o CRPq possui certificação ISO 9001.
O investimento para essas reformas foi da CNEN e de projetos da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) em parceria com órgãos de fomento.

O aumento da potência para 4,5MW permitirá a irradiação de materiais com fluxos de nêutrons térmicos da ordem de 9,7.1013 nêutrons por centímetro quadrado por segundo e nêutrons epitérmicos e rápidos da ordem de 1013 n/cm2.s.

Walter Ricci Filho, gerente-adjunto de Operação, Manutenção do Reator IEA-R1 (CRO), comenta que o projeto é chegar a 5MW em 2012. “Todos ganham com o aumento da potência: a instituição, os pesquisadores e principalmente, a sociedade brasileira. Nosso reator tem muito a oferecer até que o Reator Multitpropósito Brasileiro (RMB) seja construído e, mesmo depois do início de sua operação”.

Notícias EM FOCO - IPEN (29/07/2011)
  

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