quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Mamografia óptica: uma promissora alternativa à mamografia convencional


Uma nova técnica de imagem óptica, desenvolvida na Universidade norte-americana Tufts  pode auxiliar médicos, tanto na identificação de câncer de mama quanto no monitoramento da resposta de pacientes ao tratamento.

A técnica de infravermelho próximo (IR) espectral difuso é baseado num conjunto de feixes, que varrem um plano no qual há duas fibras ópticas - uma para a iluminação e outra para a detecção - da imagem do tecido. Durante a aquisição dos dados, o tecido é iluminado por luz NIR, e um software exibe imagens em tempo real.  Um detector de luz no interior do sistema mostra a intensidade do feixe de NIR que é transmitido através do tecido.

Por meio de um algoritmo baseado nas informações ópticas, esta nova tecnologia é capaz de gerar imagens através da intensidade da luz transmitida que são exibidas automaticamente, podendo ser lida rapidamente após o procedimento, tal como é o caso da mamografia por raios-X.

Exemplo de imagem de mamografia óptica, mostrando a oxigenação de um carcinoma duto in situ (CDIS). Nesta imagem, a área destacada corresponde à localização do câncer e indica os valores mais baixos de oxigenação da hemoglobina. Fonte: Sergio Fantini, professor de engenharia biomédica na Universidade Tufts.
Segundo o Professor Sergio Fantini, do Departamento de Bioengenharia, as diferenças na absorção da luz permitem a identificação de água, gordura e tecido rico e pobre em oxigênio. "O consenso é que a mamografia por raios-X é muito boa na detecção de lesões, mas não é tão eficaz para determinar quais lesões, no caso de um câncer, são realmente suspeitas", diz ele. "No entanto, isso poderia complementar a mamografia padrão, especialmente em mulheres mais jovens que podem ter um tecido denso que tende a obscurecer detalhes em raios-X."

Os métodos alternativos são baseados no uso de radiação ionizante ou agentes fluorescentes, porém a técnica desenvolvida pelo grupo de Fantini é não-invasiva e utiliza radiação não ionizante, podendo ser aplicada várias vezes ao longo de um curto período de tempo, não possuindo os riscos envolvidos numa  eventual superexposição do tecido/ órgão à radiação ionizante.

Ao contrário de outros métodos de imagem, a técnica também pode obter imagens funcionais, em tempo real, de alterações metabólicas, tais como os níveis de hemoglobina e oxigenação.

"Tem sido relatado que os pacientes que respondem à quimioterapia do câncer de mama mostram uma diminuição na concentração de hemoglobina e água e um aumento na concentração de lipídeos no local do câncer", explica Fantini. "Isso sugere que imagens por NIR podem ser valiosas, não só no diagnóstico de câncer de mama, mas também no monitoramento da resposta individual de terapias sem a necessidade de repetidos exames por raios-X."

"Por exemplo,  esta técnica poderia ajudar a determinar se um paciente está respondendo à quimioterapia, tendo o tumor diminuído antes da cirurgia", acrescenta.

Os testes clínicos indicam sucesso na identificação de tecido canceroso. "Os resultados dos testes eram compatíveis com os que encontramos na mamografia por raios-X", explica o colaborador de Fantini, Roger Graham, diretor do Tuffs Medical Center's Breast HEalth Center.

Os pesquisadores visam agora investigarmulheres saudáveis, mulheres com câncer de mama e  mulheres com lesões benignas para avaliar a eficácia da detecção de câncer por mamografia óptica, além da avaliação da capacidade de distinguir tumores malignos de benignos. Um estudo clínico, com duração de cinco anos  foi financiado por uma doação de US $ 3,5 milhões do Instituto Nacional de Saúde, e está em andamento no Tufts Medical Center, em Boston.


Fonte: http://engineering.tufts.edu/default.aspx

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