sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Microscopia por geração de segundo harmônicos é capaz de medir as mudanças em fibras do tecido conjuntivo tumoral de mama



Exemplo do arranjo das fibras de colágeno que compõe o tecido conjuntivo 
das mamas.  Os pequenos pontos  são os núcleos dos fibroblastos  -   células 
responsáveis pela sintetização das fibras de colágeno.
Usando microscópios avançados, equipados com luzes lasers capazes de penetrar em tecidos biológicos, os especialistas em imagens de câncer na Universidade Johns Hopkins, desenvolveram uma maneira nova e promissora para analisar com precisão os padrões distintos de fibras ultra-finas de colágeno em amostras de tumores de mama, visando predizer  se houve ou não espalhamento do câncer.

Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins afirmam que as imagens ópticas podem potencialmente serem usadas com outros testes para determinar com mais precisão a necessidade de biópsia e remoção de linfonodos em mulheres com risco de câncer de mama metastático.

No que se acredita ser o primeiro estudo capaz de medir as mudanças em fibras do tecido conjuntivo tumoral, os pesquisadores descobriram que oito mulheres cujos cânceres se espalharam para além da mama, através do sistema linfático tinham colágeno cerca de 10% mais denso e radialmente distribuídos do que seis mulheres cujos cânceres ainda não haviam se espalhado. As fibras de colágeno nos tumores não-metastáticos, também obtidos durante biópsia de mama, foram mais difusas e dispostas em um padrão transversal ou horizontal. Todas as 14 mulheres do estudo foram diagnosticadas com câncer de mama maligno.

No artigo publicado no Journal of Biomedical Optics (edição de Novembro), os pesquisadores relatam que, se os resultados deste estudo piloto se mantiverem após a realização de novos testes em centenas de mulheres, com ou sem câncer de mama metastático, a sua nova ferramenta de imagem óptica poderia simplificar os testes e consequentemente ajudar as pessoas a evitar uma cirurgia desnecessária.

"Nossa nova técnica de diagnóstico tem o potencial de ajudar a tranquilizar milhares de pacientes com câncer de mama, os quais possuem cânceres que não se espalharam para outros órgãos. Será possível ainda ajudá-los a evitar os riscos e dores atualmente envolvidas nos exames diretos dos gânglios linfáticos, para verificar a presença de células cancerosas",  diz a investigadora sênior do estudo, a doutora Kristine Glunde.

Mulheres com padrões de fibrars tumorais mais densas, provavelmente possuem uma chance maior de precisar de biópsia de linfonodo, remoção e inspeção de tecido, diz Glunde, uma professora associada da Universidade Johns Hopkins School of Medicine, Departamento de Radiologia Russell H. Morgan e Sidney Kimmel Comprehensive Cancer Center.

Glunde diz complicações da biópsia do linfonodo e dissecção mais invasivas incluem o risco de infecção, dor, inchaço grave e perda de fluido linfático em torno da axila, bem como rigidez no braço, que pode se tornar permanente. Um número estimado de 230 mil norte-americanas foram diagnosticadas em 2011 com câncer de mama invasivo, enquanto outras 57.000 foram diagnosticadas com câncer de mama não-invasivo, ou in-situ.

As imagens das fibras do tecido foram obtidas utilizando uma técnica de imagem óptica baseada na geração de segundo harmônicos, em que a luz laser de comprimento de onda longo é desviada a partir das fibras de colagéno, permitindo a captura de images de vários planos. O comprimento de onda mais longo do infravermelho, a 880 micrometros, foi escolhido devido a capacidade de penetração no tecido, sem o risco de danos e aquecimento das células cancerígenas.

Fonte: Johns Hopkins Medicine School
Artigo completo: http://biomedicaloptics.spiedigitallibrary.org/article.aspx?articleid=1306217

3 comentários:

  1. Artigo muito interessante, porém a evidência de alteração no tecido conjuntivo, em especial fibras de colágeno, não é nova. Em estudos utilizando a técnica de espalhamento de raios X em baixo ângulo (SAXS em inglês) foram encontrados os mesmos resultados para tumores mamários, sendo que um deles foi desenvolvido por nosso grupo. Seguem abaixo as referências:
    (1) A.L.C. Conceição, M. Antoniassi, M.E. Poletti, Analyst 134 (6) (2009) 1077.
    (2) S. Sidhu, K.K.W. Siu, et al., Med. Phys. 35 (2008) 4660.
    (3) M. Fern andez, J. Keyrilainen, et al., Phys. Med. Biol., 2002, 47, 577.

    Abraços

    André Conceição

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    1. Obrigado André pela contribuição!

      Acredito que o grande diferencial está na técnica ser com lasers sem raios X. Talvez o título não valorizou a técnica.

      Sempre bom ter a contribuição de todos os leitores.

      Abraços e participe sempre que possível!

      Tadeu (Kubo)

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    2. Olá André! Obrigada pelo comentário!
      Creio que o título não foi 100% apropriado, uma vez que gerou esta "confusão". Alterei o mesmo para que este fique mais adequado.
      Sem duvida a tecnica SAXS é importante e bem estabelecida, tendo sido usada para o estudo de fibras de colágeno ha algum tempo. Porém conforme comentado pelo Tadeu, o diferenical neste caso seria a utilizacão de uma fonte de radiação nao ionizante; além disso, a microscopia por geração de segundo harmonicos (SHG) possui uma grande especificidade bioquímica na identificação de estruturas com alto grau de simetria - neste caso, as fibras de colágeno.
      Seguem abaixo mais algumas referências apenas para ilustrar melhor a aplicação da microscopia por SHG:
      1) Kakkad SM, Solaiyappan M, Argani P, et al. J. Biomed. Opt. 0001;17(11):116017-116017.
      2) Raghu Ambekar, Tung-Yuen Lau, Michael Walsh, Rohit Bhargava, and Kimani C. Toussaint, Biomed. Opt. Express 3, 2021-2035 (2012)

      Mais uma vez, obrigada pela contribuição!
      Grande abraço!
      Leila.

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