terça-feira, 27 de novembro de 2012

Física e Medicina, evoluindo lado a lado

 
Algumas vezes, vemos de colegas e até mesmo dos professores histórias de relações não muito amigáveis entre físicos e médicos. Nesta série de artigos, vemos um panorama desta relação que tem tudo pra dar certo, e ser muito proveitosa para os pacientes que necessitam de um tratamento cada vez melhor.
 
 
Physics has made critically important contributions to health ever since the birth of medicine 5000 years ago. These contributions have been, and continue to be, many and varied: diagnosis (X-rays, nuclear medicine, clinical PET scanning, magnetic resonance spectroscopy, magnetoencephalography, high-intensity focused ultrasound with MRI); treatment (radiotherapy, minimal-access surgery, interventional MRI, photonics, scaling theory); and a combination of diagnosis and treatment. These contributions will grow as the molecular mechanisms of disease are better understood and as new technologies enable the investigation of these molecular processes in vivo. Medical physicists have an especially important part to play; for example, in patient safety, ensuring the safe, as well as the effective, implementation of new physics-based health technologies.
This Series, published to coincide with the anniversary of Albert Einstein's death — April 18, 1955 — calls for medical physics as a career choice to be seen, promoted, and recognised as a vocational discipline.
 
A call for recognition of the medical physics profession
 
Physics and medicine—two tips for a long and happy marriage
 
Series Papers
 
Physics and medicine: a historical perspective
 
Diagnostic imaging
 
The importance of physics to progress in medical treatment
 
Future medicine shaped by an interdisciplinary new biology
 
The importance of quantitative systemic thinking in medicine
 
 
Audio
Physics and medicine
Richard Lane with an overview of the Series.
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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Radiocirurgia Estereotáxica - Overview



Olá pessoal!!

O Sakê (Marcos Vinicius) e eu estivemos pensando em alguns assuntos interessantes para postar no blog e resolvemos falar um pouco sobre Radiocirurgia Estereotáxica (SRS – do inglês Stereotactic Radiosurgery). Ambos trabalhamos com equipamentos dedicados à SRS e decidimos fazer algumas comparações entre eles. Eu, como trabalho com um Gamma Knife, da fabricante Elekta, vou ficar com essa missão e o Sakê vai ficar com a parte dos aceleradores lineares, mais especificamente com o Novalis, fabricantes Varian + BrainLab, que é um equipamento também dedicado à SRS, e que ele usa em seu serviço. Decidimos fazer uma série de posts relacionando e comparando algumas das principais características dos dois equipamentos.

Apenas queríamos deixar claro que as opiniões aqui expressas são dos autores na qualidade de usuários dos sistemas e que não temos intenção nenhuma de fazer qualquer tipo de propaganda para nenhum fabricante.

Para o post de hoje começamos com um breve histórico da SRS, os posts que seguem vão abordar características das máquinas em diversos aspectos, incluindo controle de qualidade, dosimetria, planejamento do tratamento etc.

Antes de qualquer coisa, gostaria de definir a palavra “estereotáxica”: é uma palavra que deriva do grego stereotaxis, stereo = tridimensional, volumétrica e taxis = arranjo. A forma de se escrever Stereotática também existe, mas nesse caso houve uma junção de stereo do grego mais tactic do latin, que significa tato (contato), que nos remete à característica cirúrgica da técnica, embora não haja qualquer abertura do crânio do paciente.

Breve Histórico da SRS 


Os pioneiros da neurocirurgia estereotáxica foram Horsley e Clarke em 1908 na Inglaterra. Eles faziam o uso de um aparato estereotáxico para estudar cérebros de macacos. Esta tecnologia começou a ser transferida para humanos em 1947 por Spiegel e Wycis, o que levou ao aparecimento de múltiplos equipamentos para estereotaxia na década de 50. Em 1949, o neurocirurgião sueco Lars Leksell começou a usar um sistema semelhante, desenvolvido por ele próprio, para cirurgias em cérebro de humanos. Este aparato estereotáxico consistia em um equipamento com um sistema de coordenadas, parafusado na cabeça do paciente e neste era acoplado um arco que adaptava as agulhas cirúrgicas, sempre voltadas ao centro do sistema. Podia-se variar as coordenadas e os ângulos para atingir locais pré-definidos no cérebro (Fig 1). Sistemas similares são utilizados até hoje em neurocirurgias estereotáxicas, como biópsias e cirurgias funcionais, por exemplo. Em 1951, ele e seu colega de trabalho Börje Larsson, físico e radiobiologista, criaram a SRS a partir de adaptações de geradores de radiação no aparato estereotáxico, que até então era utilizado somente para cirurgias abertas. Eles chegaram a acoplar, por exemplo, um sincroclíclotron da universidade de Uppsala, também na Suécia, que gerava feixes de prótons com energias de até 185 MeV. O sistema para radiocirurgia foi modificado por diversas vezes até que em 1968, Leksell e Larsson chegaram à uma configuração de fontes de Cobalto-60 (elemento emissor de radiação gama (R-) com energia média de 1,25 MeV) distribuídas ao longo de um hemisfério fazendo com que os feixes de R- fossem focalizados num ponto (isocentro). Este novo equipamento foi nomeado Gamma Knife®, que numa tradução ao pé da letra seria uma faca ou bisturi de raios gama.


 Figura 1. Aparato utilizado por Leksell para realização de cirurgias estereotáxicas.


 Figura 2. Primeiro modelo do Gamma Knife produzido, o Modelo U. A figura mostra uma casca esférica feita para blindagem das 179 fontes de Cobalto-60 que ali dentro se localizavam. Está visível também os colimadores secundários numa espécie de capacete que ficava preso à mesa de tratamento.


O Dr. Leksell foi um dos mais visionários e criativos neurocirurgiões do século 20 contribuindo amplamente na neurocirurgia de modo geral, mas sua especialidade era mesmo a área de cirurgias estereotáxicas e radiocirurgias estereotáxicas. Ajudou a formar muitos neurocirurgiões quando foi professor no Instituto Karolinska em Estocolmo até 1974. Fundou a empresa Elekta, que hoje é uma das maiores empresas fabricantes de equipamentos na área de radioterapia também, além do Gamma Knife®.

Assim teve início a Radiocirurgia Estereotáxica!

JPR 2013 - Workshop ISMRM: Palestra do físico médico alemão e inventor de sequências RARE Juergen Hennig

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Prezados Colegas, 

gostaria de anunciar a visita do físico medico alemão, Prof. Juergen Hennig, que vai palestrar durante um curso da ISMRM (Sociedade internacional de Ressonância Magnética em Medicina) que ocorrera na JPR 2013 em São Paulo. Serão dois dias dedicados somente á Ressonância Magnética (finalmente RM cresce!) contendo ciclos básicos, avançados e aplicações clinicas. A data prevista são os dias 2. e 3.de Maio de 2013.

O Prof. Hennig é diretor do departamento de física medica da universidade de Friburgo na Alemanha. Ele é considerado o inventor da tecnologia RARE (Rapid Aquisition with Refocused Echoes) que deu base as sequências Fast Spin Echo e Turbo Spin Echo. Alem disso, ele contribuiu em vários outros importantes desenvolvimentos em IRM, como o sequencia PRESS (MR Spectroscopy), Tim-CT (Imagens de RM do corpo inteiro com movimento contínuo da mesa), fMRI e o mais atual OVOC (one voxel one coil – Encefalografia por RM).

Alem de Juergen Hennig, 3 outros palestrantes internacionais serão convidados que falam sobre neurociêncas, técnicas de imagem em neuroradiologia clinica e também sobre técnicas de imagem no abdómen.

Gostaria de incentivar todos os físicos admiradores da RM para participar do evento, tendo em vista que uma visita desta magnitude é rara.

Um abraço