segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Med Nuclear : Caso 7

CASO 7 :

O paciente A recebe uma dose terapêutica de 100 mCi de I_131. Medindo a exposição logo após a administração temos a leitura de 11 a 12 mR/h. Em outra situação, o mesmo paciente A recebe uma dose terapêutica de 100 mCi de Lu_177. A exposição medida agora é de 6 a 7 mR/h. Qual a razão de tão grande diferença ?



 SOLUÇÃO :

Como vimos, a leitura do Geiger na situação 1 é diferente daquela obtida na situação 2 para a mesma atividade administrada (dado experimental obtido por nós). A questão é identificar a razão da diferença. Para isso vamos separar os dois sistemas (paciente e detector). Após a incorporação, o paciente na situação 1 tem gamas de 364 KeV sendo emitidos no interior de seu corpo e na situação 2 gamas de 113 e 208 KeV . Parte desse gamas atingem o exterior (ar) e dirigem-se ao detector. Um cálculo grosseiro mostra que para cada 3 cm de tecido do paciente (não considerei ossos) os gamas do 177Lu são da ordem de 17% (113 KeV) e 7% (208 KeV) mais atenuados que os do 131I. Esse resultado não explica a grande discrepância entre as leituras do 131I e do 177Lu. Por outro lado, os canais de decaimento apresentam probabilidades bem diferentes. Para cada 100 desintegrações do 131I da ordem de 81 produzem gamas de 364 KeV (81.2%) e para cada 100 desintegrações do 177Lu, da ordem de 6 emitem gamas de 113 KeV e 10 emitem gamas de 208 KeV. Esses fatos explicam a diferença, entre o 131I e o 177Lu, mas não o valor da discrepância ( da ordem de 40% menor para o 177Lu ). Para entendermos porque a discrepância não é maior temos que olhar para o detector. As interações diretas entre os gamas e o gás que preenche a sonda são raríssimas, assim os pares iônicos produzidos são resultado da interação entre elétrons e as moléculas do gás. Os elétrons por sua vez são fruto da interação dos gamas com a carcaça da sonda (metal). Portanto, gamas de menor energia (177Lu) tem maior probabilidade de interagirem na carcaça metálica do que gamas de mais alta energia (131I). Um cálculo grosseiro ( de novo) mostra que a probabilidade dos gamas do 177Lu interagirem na carcaça é 39% maior que os gamas do 131I (para uma espessura de metal de 0.7 mm). Esse fato, em conjunto com as diferenças nos canais de decaimento e a atenuação pelo tecido do paciente, explicam a nossa observação.

Sergio Brunetto

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