sábado, 14 de setembro de 2013

Atuação de Físicos Médicos na indústria

fonte: diário web
Agreli, físico médico da Braile: “descoberta revolucionária”
A Braile Biomédica, de Rio Preto, em parceria com outras instituições médicas de São Paulo, vai à Brasília apresentar à Câmara dos Deputados um projeto para que o Sistema Único de Saúde (SUS) passe a pagar a cirurgia com a Inovare Válvula Transcáter para cirurgia cardíaca, desenvolvida pela empresa rio-pretense em conjunto com universidades brasileiras.

A tecnologia reduz em mais de 40% os custos da cirurgia para substituir a válvula cardíaca, de R$ 120 mil para R$ 70 mil, e de forma menos invasiva. Até então, esse tipo de procedimento no Brasil só era feito com produtos de fabricação norte-americana.

De acordo com o físico médico Guilherme Agreli, desenvolvedor de produtos da Braile, esta é uma das descobertas mais revolucionárias nos últimos tempos para tratar pessoas idosas que sofrem de estenose aórtica, problema que implica na abertura incompleta da valva aórtica, impedindo o fluxo sanguíneo necessário para o restante do corpo.

"Eles não podem ser submetidos à cirurgia convencional, que é feita com o peito aberto e com ventilação extracorpórea, pois se torna um procedimento de alto risco, e eles seriam inoperáveis sem esta outra opção. Porém, como o SUS não cobre, ainda, ela acaba saindo caro para quem não pode pagar", afirma. Atualmente, os consumidores do produto são apenas hospitais particulares e planos de saúde.

Parceria 

Desenvolvida em parceria com o Instituto de Química da Unesp, em Araraquara, com apoio de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Braile, a ferramenta é o primeiro transcatéter de válvula cardíaca totalmente brasileiro. O produto é feito de material orgânico (pericárdio bovino) e dá ao tratamento as características adequadas de resistência e flexibilidade, além de ser livre de antigenicidade, ou seja, é capaz de se combinar especificamente com o produto final da resposta imune que o paciente necessita.

Quem realiza a cirurgia com a válvula Inovare em Rio Preto é o cirurgião cardiovascular João Carlos Ferreira Leal, do Instituto Braile, que explica que o nome da cirurgia é TAVI (Transcatheter Aortic Valve Implantation) ou TAVR (Transcatheter Aortic Valve Replecement), por ser feita através de um pequeno catéter, inserido por três vias - transfemoral, transapical e transaórtica - cada uma com suas vantagens e desvantagens.

Leal diz já terem sido contabilizados mais de mil casos desta cirurgia só no Brasil. Em todo o mundo, são mais de 50 mil pessoas submetidas à técnica. Ele mesmo é responsável pelo acompanhamento de sete pacientes que passaram pelo procedimento com a nova válvula. "Essa técnica é para uma gama de pacientes gravíssimos, portanto, uma população bastante seleta", diz.

O médico lembra que para o sucesso da cirurgia é imprescindível que a equipe seja muito bem preparada, com cirurgião, clínico, hemodinamicista, ecocardiografista, anestesista, sem falar que é importante que a sala de cirurgia seja híbrida - quando conciliam as atividades de hemodinâmica com as atividades das salas cirúrgicas convencionais e toda a infraestrutura tecnológica para se obter o melhor resultado.

Gabriel Pagano/Divulgação
Aposentado José Trentin com a esposa Elisabeth: primeiro rio-pretense a adotar a nova técnica
De ‘coração novo’

A primeira pessoa a ser submetida à técnica em Rio Preto foi o aposentado José Trentin, de 87 anos, há três anos. Sua esposa, a dentista aposentada Elisabete Borges Trentin Luís, 55, conta que ele vive muito bem, apesar de sofrer outros problemas de saúde, como diabetes, por exemplo. "Mas pelo fato de já ser a segunda cirurgia que ele faz deste problema, está ótimo.

Antes desta, ele passou 16 anos com a válvula convencional, que fez por via aberta, e já não estava mais conseguindo andar devido ao cansaço, por isso precisou de outra. Devido à idade avançada, não poderia mais fazer pelo método convencional e, graças a Deus, tinha esta nova cirurgia", diz.










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