quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Crises de geradores e o Reator Multipropósito Brasileiro

Ultimamente temos visto várias notícias sobre o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) e suas audiências públicas. Aqui vão algumas informações interessantes para quem quiser entender um pouco mais sobre o assunto.

A CNEN promove o RMB como a solução para garantir o suprimento de 99mTc, além de produzir radioisótopos para a indústria e agricultura. O gráfico a seguir mostra a oferta e demanda com e sem o RMB.




Cerca de 80% dos 30 milhões de procedimentos em medicina nuclear que são realizados no mundo por ano necessitam de 99mTc. Este percentual tende a crescer em aproximadamente 3-5% em um futuro próximo devido a sua praticidade e disponibilidade pelo gerador 99Mo/99mTc. 

A meia-vida curta do 99Mo (66 horas) e seu radionuclídeo filho 99mTc (6 horas) é um dos maiores motivos para gerar crises, já que por causa disto estes elementos não podem ser armazenados. Os hospitais e radiofarmácias necessitam de uma contínua reposição destes materiais. O grande problema é que o suprimento no mundo é dependente de um número pequeno de usinas que produzem e processam o material antes de ser distribuído, sendo que a quantidade necessária por semana de 99Mo a ser calibrado é de aproximadamente 12000 Ci/6dias. 

De acordo com SCK-CEN (Studie Centrum Voor Kernenergie – Centre d’Étudie de L’énergie Nucléaire), o risco de haver rupturas no fornecimento global de 99Mo tem aumentado significativamente desde 1995 e isso tem ocorrido por diversas razões, como citadas a seguir:

• 1995: Problemas no envio de 99Mo devido a greve de equipes do transporte aéreo canadense;

• 1995 - 1997: Desligamento do reator BR2 por 21 meses para grande remodelação; 

• 1997: Desligamento do reator NRU por 5 dias por motivos de greve; 

• 1997: Desligamento definitivo do reator SILOE (Grenoble, França) que produzia 99Mo;

• 2002: Desligamento do reator HFR por 42 dias por questões de segurança operacional; 

• 2005 - 2006: Recall dos geradores de 99Mo/99mTc pela COVIDIEN, o que durou 5 meses;

• 2006: Desligamento do reator NRU por 6 dias por questões de segurança operacional; 

• 2006: Desligamento definitivo do reator FRJ-2 (Jülich, Alemanha), que produzia 99Mo;

• 2007: Outro recall dos geradores de 99Mo/99mTc pela COVIDIEN, que durou 1 mês;

• 2007: Desligamento do reator HFR por 1 mês por questões de segurança operacional;

• 2008: Desligamento do reator NRU por 11 dias por questões de segurança operacional;

• 2008: Desligamento da usina de processamento IRE por 3 meses por vazamento de 131I;

• 2008 - 2009: Desligamento do reator HFR por 6 meses por questões de segurança operacional;

• 2009 - 2010: Desligamento do reator NRU por 12 meses para reparos;

• 2010 : Desligamento do reator HFR por 6 meses para reparos;

A disponibilidade reduzida de 99Mo e consequentemente a crise com a escassez de geradores 99Mo/99mTc no passado recente tem trazido de volta o interesse em produzir 99Mo, assim como 99mTc, por meios alternativos. 

Os reatores envolvidos atualmente na produção de radioisótopos são reatores de pesquisa financiados pelos governos. Nenhum deles é comercialmente viável somente com a produção de radioisótopos. Até hoje, o único reator dedicado construído por uma empresa privada (projeto MAPLE, Canadá) acabou se tornando um desastre técnico e financeiro. 

Algumas das soluções já implementadas mundialmente são: Utilizar exames alternativos para conservar o 99mTc para os exames que são essenciais e necessitam do material, e pesquisar/construir novos reatores mais econômicos;

2 comentários:

  1. Parece que o RMB não será suficiente para 2020/21. Apenas 2 anos com capacidade de produção acima da demanda. Creio que nem isso, pois a demanda deve subir quando tiver capacidade de oferta.

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  2. O RMB tem uma capacidade inicial de 100Ci/semana. No entanto sua capacidade real 'e muito maior. Portanto a oferta crescer'a a medida que a medicina nuclear demandar.

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