quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Revisão do aplicativo: IDCalc - para Radioterapia e Medicina Nuclear

Prezados leitores, 

Fomos procurados por um dos desenvolvedores do aplicativo IDCalc, para que realizássemos uma revisão das funcionalidades. 
 As informações do aplicativo e o potencial de ação do mesmo está na página principal do iTunes e ilustrado na figura 1. 

 Figura 1. Tela do aplicativo na iTunes Store

Dividimos os comentários em Radioterapia e Medicina Nuclear.

Radioterapia
Podemos utilizá-lo em três aplicações na rotina de radioterapia: na dosimetria (1ª “tela”), calculo de dose (2ª, 3ª e 4ª “telas”) e calibração da câmara de ionização (última “tela”).


Figura 2. "1ª tela" 
Na parte de dosimetria se tem a opção de escolher entre colocar a energia do feixe, caso seja um acelerador linear, ou uma fonte de 60Co e ele fornece informações como a profundidade em que a dose é 80% da máxima, TPR 20/10 e D20/D10 que são utilizadas para caracterização da energia do feixe. Então, quando se faz a dosimetria mensalmente é possível comparar os resultados obtidos com esses, caso não estejam de acordo é possível simular valores de energia para encontrar o valor encontrado na dosimetria e enfim definir a “energia real” do seu feixe. 
Para utilizar a 2ª e 3ª telas é necessário ter definido a energia na primeira e a 4ª é simplesmente para determinar o campo quadrado equivalente. Pois bem, nos serviços existem tabelas de PDP e TMR que são bastante utilizadas onde se faz muitos pacientes com radioterapia convencional e menos onde se utiliza algum sistema de planejamento. Então verificamos dois modos de abordar essa parte. Para o primeiro caso o aplicativo facilitaria o calculo da PDP, ou TMR, onde a profundidade ou o campo equivalente não seja múltiplo inteiro de 1 cm, onde teria que se fazer a interpolação dos valores encontrados nas tabelas. Para o caso de serviços nos quais a maioria dos pacientes tem seu planejamento feito por um sistema computadorizado (3D ou IMRT), o aplicativo pode dar um auxilio maior caso seja necessário iniciar um paciente de urgência sem precisar passar pelo sistema de planejamento, devida a não familiaridade com as tabelas pela falta de uso constante. É fundamental a validação desses dados com os fornecidos pelo sistema de planejamento (Double check) para o caso de utilizá-lo. 




Figura 3. "2ª, 3ª e 4ª tela" IDCalc
A 5ª tela (Isótopos) fornece uma lista com vários isótopos utilizados radioterapia e outros de medicina nuclear. Entre os utilizados na radioterapia encontra-se o 90Sr (estrôncio) que é utilizado como fonte de referencia para calibração das câmaras de ionização; apesar de ter uma meia vida longa é necessário fazer a correção de seu decaimento. Outros isótopos são utilizados para braquiterapia no qual também é muito importante se calcular o decaimento. Ele ainda fornece algumas informações a respeito do isótopo como a meia-vida, energia (e qual partícula emitida) e o Γ.

Figura 4. "5ª tela"
De um modo geral é um aplicativo interessante que pode facilitar e tornar mais ágil a rotina, mas não dispensa a presença das tabelas nos serviços e a familiaridade com as mesmas. Seria interessante ainda constar no aplicativo fontes de referencia, caso o usuário queira checar as informações ou mesmo entender como foram feitos os cálculos, pois mais importante do que se ter os números é como chegar até eles.
Sugestões adicionais:
Para o cálculo do campo equivalente é uma rolagem que você seleciona os lados, mas pra campos maiores do que 10x10 (que é o default) pode demorar, seria interesante ter a opção de digitar os parâmetro. Nossa equipe utilizou o aplicativo como double check da rotina e para o decaimento da fonte de referência. Os dados foram confrontados com os valores de rotina de um serviço e a diferença foi na última casa de precisão. Não foram conferidos o Stopping Power ou o coeficiente de atenuação.

Medicina Nuclear

Para Medicina Nuclear, o aplicativo está nos primeiros passos. 

O IDACalc realiza o cálculo de decaimento e dá as propriedades dos elementos na 5ª tela, o que é bastante interessante para conferência e estimativas de avaliações. Há também o Γ nas propriedades, que podemos utilizar até mesmo para o cálculo de exposição, mas o aplicativo não realiza esta estimativa.

Os elementos presentes são: P-32, Co-60, Sr-90, I-125, I-131, Cs-137, Ir-192, Au-198, Tc-99m, Ra-226, Ru-106 e Pd-103. 

No serviço de Medicina Nuclear os elementos mais utilizados e que ficam como sugestão de serem adicionados são: Co-57, Ba-133, Sm-153, Lu-177, I-123, F-18, In-11, Ge-68, Ga-67, Rb-82, Ra-223, Y-90 e Mo-99. 

Hoje os serviços de Medicina Nuclear podem ser divididos em "modalidades": Diagnóstico SPECT e PCI, Diagnóstico PET/CT e Terapia. 

Para serviços PET/CT, é importante o decaimento do F-18 e uma estimativa de atividade residual após administração, com pacientes entrando a cada X minutos e com injeção de X e residuo X. Com estas informações, quando o FDG chega à instalação, podemos prever se será possível realizar todos os pacientes previamente marcados de acordo com o tempo de exame de cada equipamento e indicação clínica .Hoje este fluxo é controlado através de planilhas.

Sobre as fontes de Ge-68, Cs-137, Ba-133 e Co-57, que são as fontes de aferição/calibração do equipamento, uma funcionalidade importante, seria que eu conseguisse salvar os dados de calibração no aplicativo e inserir os valores obtidos pelo medidor de atividade na data atual ou em qualquer data. Desta maneira poderia comparar os dados teóricos com os reais. Outra possibilidade seria realizar os testes de precisão, exatidão e reprodutibilidade com estas fontes (Cs-137, Ba-133 e Co-57).

Para o caso de uma contaminação e/ou liberação de rejeito, de acordo com a geometria e distância, há a possibilidade de escolhermos um "Gamão" adequado para estimar a taxa de exposição ou grosseiramente a taxa de dose a partir da distância. Seria interessante implementar estas funcionalidades onde eu escolho o radionuclídeo e a partir do gamão (adequado), eu possa inserir a distância e a taxa de exposição ("taxa de dose") obtida pelo detector GM e o aplicativo retornar a atividade. 

Acreditamos que o aplicativo está dando os primeiros passos em medicina nuclear e se implementada as sugestões, teria um potencial inicial interessante/funcional de aplicação.

Observações gerais: Os dois avaliadores do Blog sentiram bastante falta das referências utilizadas tanto para os cálculos quanto para as constantes, o que torna difícil aplicar na rotina com segurança. Há também o consenso da necessidade de inserir os dados, onde se aplica, e não apenas utilizá-los. Uma referência para a diversidade de constantes de Medicina Nuclear para cada situação pode ser encontrada em diversos artigos, mas também no "RADIONUCLIDE AND RADIATION PROTECTION DATA HANDBOOK" e em alguns artigos "EXPOSURE RATE CONSTANTS AND LEAD SHIELDING VALUES FOR OVER 1,100 RADIONUCLIDES" (Prof. Stabin), etc. 

Acreditamos que com referências consolidadas, alterações propostas e validação, este aplicativo terá bastante funcionalidade na rotina.
Espero que tenha sido não somente uma revisão de um aplicativo, mas que os leitores possam ter relembrado de algumas coisas interessantes da prática do Físico Médico. 

Obrigado pela confiança e esperamos ouvir mais do IDCalc no futuro, bem como os aplicativos que surgem para somar na rotina dos Físicos Médicos. 

Desejamos sucesso e aguardamos uma atualização da equipe MEVIS!

 Revisores: 

  • Físico Médico - Rafael Carvalho de Araújo (Saddam)
  • Físico Médico - Tadeu Takao Almodovar Kubo (Kubo)

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