quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

XVI Congresso da Sociedade Brasileira de Radioterapia


Destaques da Programação

• Radioterapia de alta tecnologia
• Política de saúde em radioterapia
• Tumores de cabeça e pescoço
• Câncer de próstata
• Tumores do Sistema Nervoso Central
• Radiocirurgia craniana e corpórea
• Câncer de pulmão
• Tumores pediátricos
• Câncer de mama
• Tumores ginecológicos 
 
Acessem o site

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

RSNA 2014 - CALL FOR ABSTRACTS - DEADLINE APRIL 9, 2014

Abstract submission is now open for RSNA 2014.
RSNA 2014 marks the 100th Scientific Assembly and Annual Meeting of the Radiological Society of North America. For a century, our program has showcased the finest science and education from across the globe. 
http://rsna.informz.net/z/cjUucD9taT0yOTYxOTM1JnA9MSZ1PTgwMzkyNTk2NyZsaT0xNjI5NDA4Nw/index.html 

Now is the time to bring your discoveries and techniques to this global forum. Submit your abstracts now for:

  • Scientific Presentations (formal and informal)
  • Applied Science Presentations
  • Education Exhibits
  • Quality Storyboards
  • Quantitative Imaging Reading Room Showcase Presentations
The online system makes it easy. Simple and flexible, it lets you start a submission, save it and return to update it any time before the deadline. Start at RSNA.org/Abstracts.


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Revisão do aplicativo: IDCalc - para Radioterapia e Medicina Nuclear

Prezados leitores, 

Fomos procurados por um dos desenvolvedores do aplicativo IDCalc, para que realizássemos uma revisão das funcionalidades. 
 As informações do aplicativo e o potencial de ação do mesmo está na página principal do iTunes e ilustrado na figura 1. 

 Figura 1. Tela do aplicativo na iTunes Store

Dividimos os comentários em Radioterapia e Medicina Nuclear.

Radioterapia
Podemos utilizá-lo em três aplicações na rotina de radioterapia: na dosimetria (1ª “tela”), calculo de dose (2ª, 3ª e 4ª “telas”) e calibração da câmara de ionização (última “tela”).


Figura 2. "1ª tela" 
Na parte de dosimetria se tem a opção de escolher entre colocar a energia do feixe, caso seja um acelerador linear, ou uma fonte de 60Co e ele fornece informações como a profundidade em que a dose é 80% da máxima, TPR 20/10 e D20/D10 que são utilizadas para caracterização da energia do feixe. Então, quando se faz a dosimetria mensalmente é possível comparar os resultados obtidos com esses, caso não estejam de acordo é possível simular valores de energia para encontrar o valor encontrado na dosimetria e enfim definir a “energia real” do seu feixe. 
Para utilizar a 2ª e 3ª telas é necessário ter definido a energia na primeira e a 4ª é simplesmente para determinar o campo quadrado equivalente. Pois bem, nos serviços existem tabelas de PDP e TMR que são bastante utilizadas onde se faz muitos pacientes com radioterapia convencional e menos onde se utiliza algum sistema de planejamento. Então verificamos dois modos de abordar essa parte. Para o primeiro caso o aplicativo facilitaria o calculo da PDP, ou TMR, onde a profundidade ou o campo equivalente não seja múltiplo inteiro de 1 cm, onde teria que se fazer a interpolação dos valores encontrados nas tabelas. Para o caso de serviços nos quais a maioria dos pacientes tem seu planejamento feito por um sistema computadorizado (3D ou IMRT), o aplicativo pode dar um auxilio maior caso seja necessário iniciar um paciente de urgência sem precisar passar pelo sistema de planejamento, devida a não familiaridade com as tabelas pela falta de uso constante. É fundamental a validação desses dados com os fornecidos pelo sistema de planejamento (Double check) para o caso de utilizá-lo. 




Figura 3. "2ª, 3ª e 4ª tela" IDCalc
A 5ª tela (Isótopos) fornece uma lista com vários isótopos utilizados radioterapia e outros de medicina nuclear. Entre os utilizados na radioterapia encontra-se o 90Sr (estrôncio) que é utilizado como fonte de referencia para calibração das câmaras de ionização; apesar de ter uma meia vida longa é necessário fazer a correção de seu decaimento. Outros isótopos são utilizados para braquiterapia no qual também é muito importante se calcular o decaimento. Ele ainda fornece algumas informações a respeito do isótopo como a meia-vida, energia (e qual partícula emitida) e o Γ.

Figura 4. "5ª tela"
De um modo geral é um aplicativo interessante que pode facilitar e tornar mais ágil a rotina, mas não dispensa a presença das tabelas nos serviços e a familiaridade com as mesmas. Seria interessante ainda constar no aplicativo fontes de referencia, caso o usuário queira checar as informações ou mesmo entender como foram feitos os cálculos, pois mais importante do que se ter os números é como chegar até eles.
Sugestões adicionais:
Para o cálculo do campo equivalente é uma rolagem que você seleciona os lados, mas pra campos maiores do que 10x10 (que é o default) pode demorar, seria interesante ter a opção de digitar os parâmetro. Nossa equipe utilizou o aplicativo como double check da rotina e para o decaimento da fonte de referência. Os dados foram confrontados com os valores de rotina de um serviço e a diferença foi na última casa de precisão. Não foram conferidos o Stopping Power ou o coeficiente de atenuação.

Medicina Nuclear

Para Medicina Nuclear, o aplicativo está nos primeiros passos. 

O IDACalc realiza o cálculo de decaimento e dá as propriedades dos elementos na 5ª tela, o que é bastante interessante para conferência e estimativas de avaliações. Há também o Γ nas propriedades, que podemos utilizar até mesmo para o cálculo de exposição, mas o aplicativo não realiza esta estimativa.

Os elementos presentes são: P-32, Co-60, Sr-90, I-125, I-131, Cs-137, Ir-192, Au-198, Tc-99m, Ra-226, Ru-106 e Pd-103. 

No serviço de Medicina Nuclear os elementos mais utilizados e que ficam como sugestão de serem adicionados são: Co-57, Ba-133, Sm-153, Lu-177, I-123, F-18, In-11, Ge-68, Ga-67, Rb-82, Ra-223, Y-90 e Mo-99. 

Hoje os serviços de Medicina Nuclear podem ser divididos em "modalidades": Diagnóstico SPECT e PCI, Diagnóstico PET/CT e Terapia. 

Para serviços PET/CT, é importante o decaimento do F-18 e uma estimativa de atividade residual após administração, com pacientes entrando a cada X minutos e com injeção de X e residuo X. Com estas informações, quando o FDG chega à instalação, podemos prever se será possível realizar todos os pacientes previamente marcados de acordo com o tempo de exame de cada equipamento e indicação clínica .Hoje este fluxo é controlado através de planilhas.

Sobre as fontes de Ge-68, Cs-137, Ba-133 e Co-57, que são as fontes de aferição/calibração do equipamento, uma funcionalidade importante, seria que eu conseguisse salvar os dados de calibração no aplicativo e inserir os valores obtidos pelo medidor de atividade na data atual ou em qualquer data. Desta maneira poderia comparar os dados teóricos com os reais. Outra possibilidade seria realizar os testes de precisão, exatidão e reprodutibilidade com estas fontes (Cs-137, Ba-133 e Co-57).

Para o caso de uma contaminação e/ou liberação de rejeito, de acordo com a geometria e distância, há a possibilidade de escolhermos um "Gamão" adequado para estimar a taxa de exposição ou grosseiramente a taxa de dose a partir da distância. Seria interessante implementar estas funcionalidades onde eu escolho o radionuclídeo e a partir do gamão (adequado), eu possa inserir a distância e a taxa de exposição ("taxa de dose") obtida pelo detector GM e o aplicativo retornar a atividade. 

Acreditamos que o aplicativo está dando os primeiros passos em medicina nuclear e se implementada as sugestões, teria um potencial inicial interessante/funcional de aplicação.

Observações gerais: Os dois avaliadores do Blog sentiram bastante falta das referências utilizadas tanto para os cálculos quanto para as constantes, o que torna difícil aplicar na rotina com segurança. Há também o consenso da necessidade de inserir os dados, onde se aplica, e não apenas utilizá-los. Uma referência para a diversidade de constantes de Medicina Nuclear para cada situação pode ser encontrada em diversos artigos, mas também no "RADIONUCLIDE AND RADIATION PROTECTION DATA HANDBOOK" e em alguns artigos "EXPOSURE RATE CONSTANTS AND LEAD SHIELDING VALUES FOR OVER 1,100 RADIONUCLIDES" (Prof. Stabin), etc. 

Acreditamos que com referências consolidadas, alterações propostas e validação, este aplicativo terá bastante funcionalidade na rotina.
Espero que tenha sido não somente uma revisão de um aplicativo, mas que os leitores possam ter relembrado de algumas coisas interessantes da prática do Físico Médico. 

Obrigado pela confiança e esperamos ouvir mais do IDCalc no futuro, bem como os aplicativos que surgem para somar na rotina dos Físicos Médicos. 

Desejamos sucesso e aguardamos uma atualização da equipe MEVIS!

 Revisores: 

  • Físico Médico - Rafael Carvalho de Araújo (Saddam)
  • Físico Médico - Tadeu Takao Almodovar Kubo (Kubo)

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Residência em Área Profissinal da Saúde – FÍSICA MÉDICA da UNICAMP

Solicitamos a divulgação de Residência em Área Profissinal da Saúde – FÍSICA MÉDICA da UNICAMP, com 01 vaga em Física de Radiodiagnóstico, 01 vaga em Física de Medicina Nuclear e 02 vagas em Física de Radioterapia.
 
O Programa de Residência em Área Profissional da Saúde – Física Médica, aprovado pela Portaria Conjunta Nº 11, de 18 de dezembro de 2013, da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde e Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação, constitui modalidade de ensino de pós-graduação lato sensu, sob a forma de curso de especialização, caracterizado por ensino em serviço, em regime de dedicação exclusiva, com carga horária de 60 horas semanais e duração de 02 anos.
 
As inscrições ocorrerão entre 27 e 31 de janeiro de 2014 e as informações estão disponíveis no edital, disponível em http://www.fcm.unicamp.br/fcm/sites/default/files/edital_fm.pdf. Os residentes regularmente matriculados terão direito a Bolsa Mensal, paga pelo Ministério da Saúde, no valor bruto de R$ 2.976,26, além de outros benefícios detalhados no Edital.
 
O programa será executado pela Área de Física Médica do Centro de Engenharia Biomédica (CEB)/ UNICAMP, via COREMU, em parceria com a Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação (FEEC), a Faculdade de Ciências Médicas (FCM), o Instituto de Física “Gleb Wataghin” (IFGW), o Hospital de Clínicas (HC) e o Hospital da Mulher “Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti” (CAISM). Além disso, temos o apoio da Secretaria Municipal de Saúde através do Centro de Educação dos Trabalhadores da Saúde (CETS).
 
Atenciosamente,
 
Rosângela Franco Coelho
Área de Física Médica
CEB/UNICAMP

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Terapias radionuclídicas - Tumores Neuroendócrinos: Parte 1


Prezados Leitores, 
Gostaria de compartilhar e disseminar com vocês a importância das terapias radionuclídicas com a participação dos físicos na avaliação dosimétrica. Recentemente, a ANS - Agência Nacional de Saúde incluiu na cobertura dos planos de saúde a terapia de tumores neuroendócrinos através da medicina nuclear. Atualmente existem alguns documentos importantes que devem ser consultados antes de iniciar qualquer terapia. Em qualquer instalação é possível realizar ensaios com simuladores, com a finalidade de conhecer o comportamento do equipamento para os estudos de dosimetria interna. 
As terapias-alvo radionuclídicas têm representado um importante papel no tratamento de pacientes com câncer. O alcance das estratégias de tratamento continua expandindo-se e, baseadas em um sofisticado entendimento do tumor, técnicas de marcação e radiobiologia, é possível que surjam novas indicações clínicas para essa terapia no futuro. Dentre as terapias radionuclídicas de receptores de peptídeos (PRRT), os análogos de somatostatina marcados com 177Lu e 90Y têm sido mais estudados (SCOTT e LEE, 2008).
Os tumores neuroendócrinos (NETs) são um grupo heterogêneo de tumores com origem em células neuroendócrinas do intestino embrionário, pulmão, adrenais, com lesões primárias localizadas na mucosa gástrica, no intestino delgado e grosso, no reto ou no pâncreas (ÖBERG et al., 2010). A incidência desse tipo de tumor tem aumentado desde o último ano e pode aparecer em qualquer idade, sendo, entretanto, a maior incidência acima dos 50 anos (ÖBERG et al., 2010). Na classificação dos tumores neuroendócrinos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), células tumorais com fenótipos neuroendócrinos, principalmente com localização primária no trato gastrointestinal, também chamados de tumores gastro-entero-pancreáticos (GEP), foram divididas em: tumores endócrinos bem diferenciados ou carcinóides (considerados como benignos ou de baixo grau); carcinoma endócrino bem diferenciado; carcinoma endócrino pouco diferenciado (p.ex. os tumores pulmonares de pequenas células); carcinoma endócrino-exócrino misto e tumores “LIKE LESIONS” (SOLCIA et al., 2000).
O comportamento clínico dos NETs é extremamente variável, podendo ser de crescimento lento (bem diferenciados), que são a grande maioria, altamente progressivos e tumores malignos (pouco diferenciados). Os mecanismos de captação das neuroaminas, bem como a presença de receptores e transportadores de peptídeos na membrana celular de diversos NETs, constitui a base da utilização clínica de ligantes específicos, radiofármacos, tanto para a imagem latente como na terapia. Diversas opções estão disponíveis para o tratamento dos NETs incluindo análogos da somatostatina, interferon-α, quimioterapia citotóxica, ressecção cirúrgica, embolização da artéria hepática e possível transplante de fígado em alguns pacientes (GARKAVIJ et al., 2010).
Os resultados do tratamento, particularmente em pacientes com doença progressiva, mostram uma resposta objetiva baixa e pouco tempo para progressão (GARKAVIJ, et al. 2010). Trabalhos recentes mostram que, além da redução do volume tumoral, há uma aumento na qualidade de vida dos pacientes submetidos ao tratamento com 177Lu marcado com octreotato ([177Lu-DOTA0,Tyr3]octreotato) (KHAN et al., 2011). Estudos clínicos apresentaram uma variabilidade de respostas à terapia e diferentes captações pelos órgãos, reforçando a necessidade de uma terapia adaptada a cada paciente. Desde os primeiros estudos de biodistribuição, ficou claro que os rins são órgãos críticos para as terapias radionuclídicas devido à retenção dos radiopeptídeos. Diferentes métodos podem ser aplicados para dosimetria; todos eles, entretanto, requerem imagens cintilográficas ou amostras biológicas como dados de estudo (SIEGEL, 1999). A administração individualizada do 177Lu tem sido amplamente discutida na literatura, sendo a dose limitante para os rins, durante todos os ciclos da terapia, inferior a 27 Gy (SWARD et al, 2010) ou 23 Gy (BOUCHET et al, 2003).
Em relação à medula óssea vermelha, a toxicidade hematológica é uma consequência da irradiação da medula óssea. A dose limitante para a medula óssea vermelha é de 2 Gy. Por essa razão, há grande interesse na avaliação da dose absorvida na medula óssea vermelha. A medula óssea é parte do esqueleto e disseminada por todo o corpo, situada dentro das cavidades dos ossos. O peso total da medula óssea é aproximadamente 5% do peso corporal (HINDORF et al, 2010; FORRER, 2009). Há três contribuições para a dose absorvida em medula óssea:
a)    Atividade na medula óssea (atividade dos fluidos extracelulares, sangue e componentes e células da medula óssea);
b)    Atividade no osso;
c)    Atividade no corpo inteiro (órgãos principais e restante do corpo).
A dose absorvida no corpo inteiro tem sido usada como substituto para a dose absorvida em medula óssea e tem sido aplicada em investigações sobre a relação entre a dose absorvida e o efeito tóxico na medula vermelha (HINDORF et al ,2010).
As imagens cintilográficas planares são úteis na avaliação biocinética ao longo do tempo, enquanto a tomografia por emissão de fótons únicos (SPECT) e o SPECT acoplado à tomografia computadorizada (SPECT/CT) auxiliam na avaliação da distribuição da atividade nos órgãos (CREMONESI et al, 2010). A dosimetria baseada em imagens planares tem sido o método escolhido nos últimos anos e tem a vantagem de ter sido explorada, bem documentada e acessível. O SPECT quantitativo pode fornecer medidas da distribuição da radioatividade in vivo. Entretanto, é necessário muito tempo para aquisições de corpo inteiro e a necessidade de uma variedade de posições de mesa para que se possa cobrir todo o corpo. Por essas razões, as imagens planares continuam sendo muito utilizadas para estimativa de doses nos órgãos para o planejamento terapêutico com radionuclídeos. As imagens SPECT ficam restritas às regiões de maior interesse. Dessa maneira, os métodos de quantificação de imagens planares são clinicamente relevantes (SONG,2011).
No Brasil, a pesquisa clínica com 177Lu está em fase inicial e ainda são poucos os centros que a realizam. Por essa razão, é extremamente importante que a condução da terapia seja discutida entre a equipe clínica e os físicos que realizam o planejamento dosimétrico.
 Para entender melhor a terapia aliada às imagens, há uma aula no slideshare, que poderá elucidar o potencial desta técnica e alguns artigos importantes:

  


 fonte: dissertação de mestrado Tadeu Kubo - CNEN/2012